BLEGER, José. Temas de Psicologia: entrevista e grupos. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
1) Discuta, as diferenças entre a entrevista aberta e a entrevista fechada.
R. Entrevista aberta – o entrevistador tem ampla liberdade para as perguntas ou para suas intervenções, permitindo-se toda a flexibilidade necessária em cada caso particular.
A liberdade do entrevistador reside na flexibilidade suficiente para permitir, na medida do possível, que o entrevistado conduza o campo da entrevista segundo sua estrutura psicológica particular.
A entrevista aberta possibilita uma investigação mais ampla e profunda da personalidade do entrevistado.
Entrevista fechada – as perguntas já estão previstas, assim como a ordem e a maneira de formulá-las, e o entrevistador não pode alterar nenhuma destas disposições.
A entrevista fechada é, na realidade, um questionário que passa a ter uma relação estreita com a entrevista, na medida em que uma manipulação de certos princípios e regras da mesma facilita e possibilita a aplicação do questionário.
A entrevista fechada permite uma melhor comparação sistemática de dados, além de outras vantagens próprias de todo o método padronizado.
2) Apresentem as principais características das entrevistas quanto ao beneficiário do resultado.R. As principais características das entrevistas quanto ao beneficiário do resultado são as seguintes:
Consulta psicológica ou psiquiátrica – buscar informações a respeito da vida do indivíduo, seus hábitos, seus comportamentos, estilo de vida e personalidade.
Entrevista cujo objetivo é a pesquisa – buscar informações a respeito do objeto de estudo do entrevistador, que seriam as informações que o entrevistado pode fornecer; utiliza anamnese, com perguntas pré-estabelecidas.
Entrevista que se realiza para um terceiro (instituição) – o entrevistador atende às solicitações do contratante (instituição), e a partir dessas irá realizar uma entrevista a fim de satisfazê-las (ex. perfil de funcionário).
3) Desenvolvam uma posição crítica acerca da comparação entre entrevistas e anamnese.R. Na anamnese as questões são previamente estabelecidas e direcionadas, sendo, portanto, bem focalizadas, não importando as informações “extras” que o sujeito traz, as quais estão além dos objetivos previstos pelo entrevistador. Logo, há um controle de variáveis. Na anamnese trabalha-se com a suposição de que o entrevistado conhece toda a sua vida, estando capacitado para fornecer os dados sobre a mesma. Além disso, como a particularidade e singularidade do entrevistado não são levadas em conta, apenas compara-se os dados de um sujeito com o outro, havendo, pois, uma homogenização dos indivíduos. Os sujeitos são “usados” para estatística. Por conseguinte, na anamnese perde-se muito em termos de conhecimento do sujeito.
Já na entrevista as questões não são previamente estabelecidas. Na entrevista cada indivíduo tem organizada uma história de sua vida e um esquema de seu presente, e dessa história e esquema o indivíduo irá deduzir coisas que ele não sabe. Nesse caso, ouve-se o sujeito, observa-se como e o que fala, analisa-se seus comportamentos e personalidade, e a partir desses fatores é que o entrevistador formula suas questões. Logo, a contribuição do entrevistado é de extrema importância. Cada indivíduo é entrevistado a partir de sua peculiaridade e singularidade.
4) Definam “entrevista psicológica” a partir de suas características essenciais.
R. A entrevista psicológica é uma relação (humana) que se estabelece entre duas ou mais pessoas, havendo uma mútua intervenção, ou seja, é também uma relação de troca. Uma dessas pessoas é o técnico da psicologia e a outra é a que necessita de sua intervenção técnica. O técnico procura saber o que está acontecendo com o sujeito e deve atuar segundo esse conhecimento.Vale enfatizar que o técnico não utiliza somente seus conhecimentos psicológicos, mas também a aplicação se produz a partir do comportamento e personalidade do entrevistado.
5) Discutam a afirmação de que “a regra fundamental da entrevista é procurar fazer com que o campo seja configurado especialmente pelas variáveis que dependem do entrevistado”.
R. Como na entrevista (aberta e semi-aberta) as perguntas não são previamente estabelecidas, o campo da entrevista caba por ser configurado e conduzido pelo comportamento e personalidade (variáveis) do entrevistado. Ou seja, o entrevistador observa e analisa a fala, os gestos, hábitos e comportamentos do indivíduo e a partir daí, das peculiaridades e singularidade do sujeito, começa a formular as questões. É como se o entrevistador controlasse a entrevista, no entanto que a dirige é o entrevistado. Por conseguinte, cada indivíduo terá uma entrevista diferente, já que as variáveis são individuais e peculiares de cada um.
6) Analisem a importância da entrevista dentro do processo de avaliação psicológica.
R. Dentro do processo de avaliação psicológica faz-se uso das entrevistas iniciais, as quais implicam uma abertura tal da escuta psicológica, o que permite, por sua vez, delinear qual trabalho será realizado com o sujeito. Não é porque veio uma solicitação de avaliação psicológica que necessariamente o psicólogo tem que fazer isso. As entrevistas iniciais vão distinguir o conteúdo manifesto do conteúdo latente (o próprio sujeito ainda não se deu conta do que está acontecendo com ele). É importante salientar que nessas entrevistas o psicólogo deve provocar que o sujeito perceba esse conteúdo latente, ou seja, mobilizá-lo para que ele próprio vá se dando conta do que está dizendo e construindo a demanda, seja de psicoterapia, seja de outro processo. Caso a demanda percebida pelo psicólogo seja a psicoterapia, esse profissional, devido às questões éticas, não deve e nem pode convencer o sujeito a fazer uma psicoterapia; isso tem que partir do próprio paciente.
7) Indiquem a importância do enquadre ou enquadramento da entrevista, apresentando suas características principais quando se trata do início do processo de avaliação psicológica.R. Sabe-se que nenhuma entrevista ou qualquer outro processo é capaz de esgotar tudo sobre a personalidade e comportamentos do sujeito. Na entrevista é preciso fazer com que o campo seja configurado especialmente pelas variáveis (personalidade) que dependem do entrevistado. A relação entre entrevistador e entrevistado delimita e determina o campo da entrevista e tudo que nela acontece. Além disso, o entrevistador deve permitir que o campo da relação interpessoal seja predominantemente estabelecido e configurado pelo entrevistado. Logo, cada entrevista tem um campo particular diferente, já que este depende da personalidade de cada entrevistado, a partir da qual toda a entrevista será conduzida.
Dentro desse contexto, para se obter o campo particular da entrevista, deve-se realizar um enquadramento rígido. Nesse enquadramento, procura-se transformar um conjunto de variáveis em constantes. É como se fosse uma espécie de padronização da situação estímulo que se oferece ao entrevistador; isso é feito com o objetivo que esse estímulo deixe de oscilar como variável para o entrevistador. Vale ressaltar que dentro do enquadramento são incluídas a atitude técnica do entrevistador, o papel do entrevistador, os objetivos, o lugar e o tempo da entrevista.
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