Comentário 3
Texto – O significado da experiência escolar para segmentos das camadas médias – Isabel Lelis
O texto trata de uma pesquisa cujo objetivo é conhecer o sentido da experiência escolar para jovens de classe média. É um trabalho interessante, já que as pesquisas sobre experiências em educação, na sua grande maioria, retratam a realidade da escola pública, de suas falhas e problemas, pois essas escolas representam são muito mais representativas da educação brasileira como um todo.
Além do interesse em conhecer esse perfil de estudantes de camadas médias, também as pesquisadoras buscaram conhecer qual o peso das práticas escolares sobre a construção do ofício de estudante.
Foi interessante observar que a escola escolhida para a realização do estudo, estava enfrentando uma séria crise financeira e pedagógica, o que me fez inferir sobre a própria crise vivida pela classe média da população brasileira em geral, que cada vez mais tem sido espremida pelos pólos de extrema desigualdade social do nosso país (uma minoria muito rica, e uma maioria muito pobre). E de como essa crise reflete na educação desses jovens, bem como de todo o funcionamento familiar.
Alguns dados chamam a atenção, como a questão da diminuição do monitoramento escolar (como deve se dar esse trabalho?) em função da sobrecarga do trabalho dos pais, ou em função das novas configurações familiares. Contudo, o texto oferece uma grande quantidade de dados socioeconômicos, o que também dificultou uma compreensão exata do perfil dessas famílias de classe média.
O texto sugere que os pais valorizam mais os resultados escolares do que a qualidade do que é ensinado, sendo que para alcançar esses resultados, muitas vezes eles trocam seus filhos de escola, o que me faz pensar que, de certa forma, quando se compara resultados de escolas públicas e particulares, onde as escolas públicas sempre levam os piores resultados, talvez esteja sendo feita uma comparação perigosa e inverídica, já que algumas escolas particulares podem estar “maquiando” seus verdadeiros resultados.
Ao tratar sobre como os estudantes se relacionam com as tarefas escolares, um dado que me chamou a atenção foi sobre as estratégias utilizadas pelos alunos para e realização dos deveres, estudos para prova, dentre outros. A pesquisa demonstra que os alunos em geral, adotam uma linguagem do cálculo e dos investimentos planejados. Em outras palavras, os estudantes adotam nos seus estudos uma relação custo-benefício, quando só fazem os exercícios que valem nota, não cultivando o hábito da leitura, ou ainda quando só estudam em véspera de provas. Concordei quando a autora conclui que este modo de agir está relacionado com todas as formas modernas de informação e comunicação onde as coisas acontecem num ritmo muito veloz.
Assim é relevante pensar que, os alunos vivem duas realidades, onde uma é a da educação formal, oferecida nas escolas, que promete resultados em longo prazo, e a outra é a realidade midiática, marcada pelo imediatismo e pela instantaneidade. Concordando com a autora, é impossível não questionar sobre a necessidade de a escola procurar meios para adaptar-se a essa nova realidade, onde a educação deve estar, segundo as autoras, mais sintonizada com essa nova juventude.
A forma como o texto é concluído, também é bastante pertinente, já que é enfatizada a importância de não pensar os resultados da pesquisa como sendo uma leitura negativa do processo escolar, bem como do ofício do estudante; mas sim abrir espaço para novos estudos sobre a camada média, onde existe uma pluralidade de estilos de vida, de gostos e de valores.
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