Comentário 1
Texto: “É Fraquinha Mas é Boa”: Uma Análise do Espaço Escolar como Refúgio
O artigo relata um estudo de caso realizado numa escola estadual de Salvador, localizada no Centro Histórico, onde os seus alunos são crianças e adolescentes em situação de risco social. A metodologia utilizada foi a técnica de “grupo focal” e o grupo foi constituído de 7 integrantes entre 12 e 16 anos de idade, sendo que a duração desse trabalho foi de 2 anos (um dado que considero muito relevante).
As autoras partem das idéias que é lugar-comum na literatura acerca de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social (Hawkins apud Alves, 1998), a escola não ser uma ambiente saudável para o desenvolvimento, citando diversos argumentos. Assim, a partir do estudo de caso realizado, o artigo aborda uma nova perspectiva, mostrando que mesmo concordando com todas as críticas, principalmente no que se refere ao ensino público, que atende à população de baixa-renda, a escola é um espaço que pode contribuir para um desenvolvimento saudável, se comparada aos outros espaços freqüentados por essa população.
Os referenciais teóricos utilizados são: o da noção de que a “realidade objetiva” (Bronfenbrenner, 1996), é apresentada para cada indivíduo de forma única e que sua construção se faz a partir da sua subjetividade e o da “noção de território” (Guattari & Rolnik, 1986), que complementa a noção de ambiente, dando ênfase à idéia da construção subjetiva da realidade.
A partir dos relatos das crianças e adolescentes fica claro que o espaço da escola, se comparado aos outros territórios freqüentados pelas crianças (casa e a rua), é um lugar que também oferece segurança, tranqüilidade, perspectivas de mudança, possibilidade de autonomia, alimento e atividades como a capoeira.
Os relatos de cada um dos territórios que fazem parte da realidade dessas crianças, nos dá uma noção das dificuldades enfrentadas pelas pessoas de baixa-renda e que vivem em situações de risco, como é o caso do Centro Histórico de Salvador. O fato de conhecer um pouco dessa realidade, como moradora da cidade de Salvador, facilitou o meu processo de leitura e interpretação do texto.
O artigo é finalizado com a questão: A escola seria então um paraíso? Onde as autoras deixam claro que não querem amenizar a situação da inadequação dos propósitos da escola de formar sujeitos, propiciar desenvolvimento sadio, de fornecer subsídios para que esses sujeitos possam ser inseridos na realidade sócio-política-econômica da qual fazem parte e que também possam ser sujeitos de direito, cidadãos. Contudo, elas sugerem que é possível, a partir dos aspectos percebidos pelos alunos como positivos, que os profissionais que atuam em escolas possam re-significar o espaço escolar, contribuindo para uma atuação mais coerente com a realidade e necessidade desses alunos.
Foi importante também a colocação de que o trabalho foi realizado num contexto específico de uma escola, numa localização onde existe muita prostituição, turismo sexual e tráfico de drogas e que se fosse realizado em outros contextos os resultados poderiam ser diferentes. O que enfatiza o que vimos nos textos anteriores a realidade de cada escola, bem como de todos os espaços em que vivemos, é um produto histórico-cultural.
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