Consumo de Drogas na AntiguidadeCivilizações amazônicas: (Brasil, Equador, Colômbia e Peru)
Consumiam diversas plantas alucinógenas, com fins religiosos.
Principais plantas consumidas: são ricas em dimetiltriptamina (DMT), um alucinógeno LSD – análogo – Yopo, Jurema, Epena e a Chacrona ou Rainha.
Também usavam a Ayahuasca*, conhecida pelas civilizações amazônicas há pelo menos 2000 anos. Incas que difundiram. Os pajés adquiriam poderes divinos e lutrais (de purificação)
Vinho das almas – conhecida como DAIME – não gera dependência física ou psicológica.
Após 18 anos de estudo o CONAD – Conselho Nacional Anti-drogas retirou da lista de alucinógenos, sendo considerada ENTEÓGENA (contexto em que seu uso é feito, se for dentro de uma realidade religiosa, sagrada e tradicional)
Consumo de Drogas na Antiguidade Idade Média
Durante a Antiguidade Clássica, as substâncias psicoativas foram utilizadas com finalidades médicas, rituais e profanas.
Com a fragmentação do Império Romano, o mundo Ocidental abandonou as cidades e se fixou no campo, em busca de subsistência e proteção contra as invasões bárbaras.
Europa fragmentada em feudos, unida apenas pela moral cristã. Foi proibido consumo de substâncias psicoativas, o qual estava associado a atitudes demoníacas e passível de penas capitais.
Planta mais conhecida dos europeus medievais: mandrágora *, rica em propriedades anticolinérgicas. (afrodisíaca, alucinógena, analgésica e narcótica)
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As Drogas nas Sociedades Ocidentais Contemporâneas
O contato com as substâncias:
Fim da Idade Média – período das Grandes Navegações, as quais permitiram que os europeus voltassem a ter contato com as substâncias que usavam na Antiguidade e com outras trazidas do Novo Mundo.
A partir do século XVIII, uma grande quantidade de medicamentos foi produzida a partir do alcalóides destas plantas.
As Drogas nas Sociedades Ocidentais Contemporâneas
O consumo liberado
A partir do século XIX, com base no espírito do Romantismo contestador, as substâncias passaram a ser utilizadas com finalidade puramente recreativa.
Período de grande tolerância - com o surgimento de vinhos à base de folha de coca, abertura de salões de ópio e consumo de maconha.
Marco: Fundação do Clube dos Haxixins (1842), pelo médico francês J. J. Moreau de Tours – psiquiatra que usava o haxixe para p tratamento de insanidade mental
Na Europa, observou-se o abuso do ópio sob a forma medicinal.
As drogas que a princípio se apresentavam na forma de produto advindo da natureza, quando levadas para o laboratório foram transformadas e passaram a produzir outras, artificialmente - as drogas sintéticas.
As Drogas nas Sociedades Ocidentais Contemporâneas Segundo David Musto *- (Doutor David Musto, professor de Psiquiatria da Universidade de Yale é um dos maiores conhecedores da história da restrição da venda de medicamentos) percurso da disseminação das drogas: inicialmente apareceram como medicamentos promissores, que despertaram grande interesse da classe científica.
Debates acadêmicos chamaram a atenção do grande público. Assim, o consumo foi aos poucos se afastando do discurso e controle médico, voltando-se para uma perspectiva de prazer e recreação.
Nova condição da substância psicoativa: produto de consumo, e portanto, desprovida de lastro cultural e rituais de controle.
Consequência: proporcionou novos padrões de uso, com o surgimento de complicações e danos físicos, psicológicos e sociais - isso suscitou a necessidade de criar mecanismos de controle pelo Estado.
A proibição do consumo:
O fim do século XIX e o início do século XX foram marcados pelo primeiro ciclo de intolerância ao uso de substâncias psicoativas.
EUA – ciclo se iniciou com a perseguição ao ópio em forma de fumo na Califórnia (década de 1870); passou pela campanha contra a cocaína e a primeira lei contra ela: o chamado Harrison Act, assinado em 1914, que culminou na aprovação de um dispositivo legal que proibia a venda, a distribuição e o consumo de bebidas alcoólicas em todo o território americano: o Volstead Act (Lei Seca - de 1919 – 1933).
Islândia – forte movimento de intolerância; foi o primeiro país ocidental a contar com uma lei (1908) que proibia o consumo de bebidas alcoólicas.
Nas duas Grandes Guerras, sua comercialização não era mais o fator primordial e sim estratégico, servindo ora para enfraquecer o inimigo, ora como amenizador da dor para os feridos e revigorante de energia para os soldados.
As anfetaminas, ao serem lançadas em forma de comprimidos, em 1837, ficaram conhecidas como a nova maravilha capaz de revigorar as energias e elevar o estado de humor.
Na segunda Grande Guerra foram largamente utilizadas pela população e pelos soldados para aplacar a fome, a fadiga e o sono. A morfina, principal constituinte do ópio, uma das potentes drogas analgésicas, com a descoberta simultânea da seringa, foi amplamente utilizada, no início por razões terapêuticas e logo depois por dependência ao produto.
Inglaterra – o controle foi durante a Primeira Grande Guerra, quando o uso de opióides e de cocaína começou a ficar fora de controle. Estas substâncias eram vendidas nas farmácias como um “útil e agradável presente para os soldados na guerra”.
- O primeiro ato de controle das drogas foi a restrição da sua disponibilidade gerando insatisfação da classe médica, a qual perdia sua autonomia de prescrição de tais substâncias.
Existem dois extremos nesse enfoque:
1- A proibição, com restrições, ou a facilidade em se conseguir as drogas e o próprio estímulo para consumí-las. Ambos têm consequências:
2 -A ausência de medidas de controle, aliada às turbulências sociais do período, fez notar o uso indevido de substâncias psicoativas como fenômeno crescente.
O desenvolvimento de formas mais perigosas de consumo é desencadeado pela repressão.
Nos EUA, por exemplo, durante a Lei Seca (caracterizada por ser repressora), em consequência da dificuldade de acesso a bebidas alcoólicas, foram registrados casos de uso de álcool injetável.
Durante o período de intolerância às drogas, os norte-americanos conjugaram leis severíssimas a uma estratégia de sonegação de informação à população sobre os efeitos e as causas do uso de drogas.
Consequência: descrença nas escassas e caricaturais mensagens antidrogas veiculadas e, principalmente, a formação de uma geração sem memória, que ignorava as lições do passado,
Motivações dos Movimentos de Controle de Substâncias Psicoativas:
Divergência entre os estudiosos quanto à motivação de controle de substâncias psicoativas.
Segundo Carlini-Cotrim * Beatriz( é doutora em Psicologia Social pela PUC-SP, tendo desenvolvido pós-doutoramento na Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston (Massachusetts, EUA). Foi pesquisadora do CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas - da Univesidade Federal de São Paulo, de 1985 a 1997. É também autora de diversos trabalhos publicados em revistas internacionais e várias dezenas em periódicos nacionais. É, ainda, vice-presidente da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas). – estes ciclos podem ser explicados fundamentalmente pela reação da população às variações epidemiológicas de consumo de psicotrópicos.
Assim, segundo este enfoque, a postura mais liberal em relação às drogas levaria ao aumento de consumo pela população.
Conseqüência: um aumento nos danos pessoais e sociais, como maior número de acidentes, aumento de casos de uso abusivo e a dependência de psicotrópicos, que por sua vez levaria a população a ter uma atitude menos tolerante frente às drogas.
As Drogas nas Sociedades Ocidentais Contemporâneas
Século XIX – descobrimento e a comercialização dos fármacos, sendo os principais, a morfina e a heroína.
Heroína- comercialização e venda transformaram a Bayer numa gigantesca empresa química.
Há mais de cinco mil anos a Papoula, planta de onde deriva a heroína, é conhecida pela humanidade. Naquela época, os sumérios costumavam a utilizá-la para combater algumas doenças como a insônia e constipação intestinal.
No século passado, farmacêuticos obtiveram, da Papoula, uma substância que foi chamada de morfina. O uso da morfina foi amplamente difundido na medicina do século XIX devido, principalmente, a suas propriedades analgésicas e antidiarréicas.
Da morfina, logo foram sintetizadas várias derivações como diamorfina, codeína, codetilina, heroína, metopon. A heroína é a mais conhecida delas. Na década de 20 foi constatado que a heroína causava dependência química e psíquica, por isso foi proibida sua produção e comércio no mundo todo.
A heroína voltou a se expandir pelo mundo depois da II Guerra Mundial e hoje é produzida no mercado negro principalmente no Sudeste Asiático e na Europa.
1859 – é produzida a cocaína; passou a estar presente em mais de uma centena de bebidas de venda livre, dentre elas a Coca-cola ( até 1915) e o vinho Mariani.
Século XX – drogas conhecidas são vendidas livremente, sem que o fato chame a atenção de juízes ou políticos.
Então, de acordo com o enfoque epidemiológico, o desenvolvimento da indústria química possibilitando o aumento da variedade e disponibilidade das substâncias psicoativas + falta de controle social = teria propiciado um aumento descontrolado do consumo dos psicotrópicos.
E o movimentos repressivos seriam fruto da reação da sociedade frente aos danos trazido pelo uso indevido das drogas.
Enfoque psicossocial:
Situação epidemiológica não seria suficiente para explicar estes movimentos sociais de Controle das Substâncias.
Alguns autores, sugerem que a existência objetiva de certos problemas sociais e a formação de movimentos que clamam por sua resolução são processos independentes entre si.
Escohodato (António Escohotado, professor de direito, filosofia e sociologia na Universidade de Madrid) – relaciona o movimento proibicionista na América com dois fatores principais.
1º - a reação do puritanismo nos Estados Unidos ao aumento da imigração, atribuindo abusos de cocaína aos negros, de maconha aos mexicanos e de álcool aos judeus e irlandeses.
2º - à liquidação do estado mínimo, com o recurso da formação de uma crescente burocracia que tenta disciplinar a vida pública.
Segundo Carlini –Cotrim: “o álcool passou cada vez mais a ser o elemento que explicava tudo o que não ia bem na nação norte-americana; no século XIX, álcool como bode expiatório – isso significa a possibilidade de explicar os insucessos da América Livre.
Motivação semelhante na proibição da maconha do Brasil:
A expansão do uso da cannabis entre os séculos XVI e XX no Brasil se deu preferencialmente entre negros e índios, relacionando-se aos setores marginalizados da sociedade.
Vinculada a uma idéia de vagabundagem e malandragem, a erva tornou-se maldita e a cultura do homem branco criou o estigma e o mito ainda predominantes.
A Contracultura e os questionamentos ao Modelo Proibicionista:
Século XX - as décadas de 1960 e 1970 marcaram, em vários países, um período de acentuada condescência com o consumo de drogas.
Artistas, intelectuais propagaram o uso de substâncias psicoativas e o associaram a ideais de contracultura e de uma nova ordem social.
Período de grandes questionamentos (entre os jovens).
Anos 60 – protestos estudantis, questionamento da ordem social estabelecida e busca de novos valores culturais.
Experimentar drogas fazia parte dessa busca.
A faixa etária dos usuários de droga começa a se alargar: o que até os anos 50 era prática do adulto advindo geralmente de colônias asiáticas e intoxicadas por tratamentos terapêuticos fazendo uso pessoal, nos anos 70 amplia-se tanto para os adolescentes quanto para os idosos.
França – 1970: foi aprovada a lei que garante o anonimato, gratuidade e voluntariedade do tratamento dos dependentes químicos, fundamentos que regem até hoje o atendimento a farmacodependentes.
Desde o fim da década de 70, o cenário das drogas passou por um novo processo de mudança: vários países viveram um segundo ciclo de intolerância às drogas, capitaneado pelos EUA e corroborado pela elaboração das Convenções-Irmãs da ONU.
Posicionamento europeu distanciou-se do Norte-americano:
EUA: crescente intolerância, principalmente do consumo de drogas ilícitas.
Europeu: gradativamente foi aceitando novas formas de abordagem do problema, conforme era a ineficácia observada nas abordagens anteriores.
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